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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Achados e perdidos de dois mil e onze

Peraí... 2011 tá acabando?
Pois é!!! E esse foi um ano incrível! Comecei o ano com um #prontoerrei histórico, numa tentativa frustrada de me tornar mais livre. Não deu certo. Mas eu aprendi muito.
E se tem algo que aprendi esse ano é que professores não tem esse 'peraí' não. Dizemos ainda bem, até que enfim, ufa, graças a Deus, não aguento mais e coisas do gênero. Tantos conselhos de classe, provas, notas, trabalhos e fichas pra corrirgir que nem dá pra ter aquela saudezinha.
Mas 2011 ainda não acabou, ainda vou tentar organizar meu carro! Sapatos, roupas, livros e papéis muito bem espalhados!!
Meu filme preferido em 2011? Pergunta difícil! Fui bastante ao cinema, revi algumas coisas por aqui... Mas não tive um preferido.
Meu site/blog preferido em 2011 foi o Escreva Lola escreva. Pude trazer pra minha vida pensamentos feministas sem aquele linguajar acadêmico que, confesso, me dá sono. Admiro a visão de mundo da Lola e a forma brilhante com a qual ela compartilha tudo.
Um vídeo do YouTube em 2011. Não sou fãnzoca do canal. Serve um da Sophia dançando?  Não rolou. Então eu fico com o vídeo da profª Amanda Gurgel, que denunciou as péssimas condições de salário/trabalho dos professores brasileiros, AQUI.
Meu livro favorito em 2011 foi, sem sombra de dúvidas, O resgate do feminino, da Isabele Ludovico.
Minha música favorita em 2011 foi Teu Sinal, do Resgate.
Meu melhor e meu pior dia de 2011. Tive muuuitos dias incríveis nesse ano. Muita coisa bacana aconteceu. Mas como um novo começo de era, posso dizer que meu primeiro dia de terapia foi ótimo. Marcou o início de uma nova fase, da minha busca por essa nova fase. Meu pior dia foi aquele em que minha sobrinhazinha Julia Amanda nasceu, porque foi o mesmo dia em que ela foi pro céu.
Em 2011 eu pela primeira vez tive meu próprio carro; recebi minha primeira multa de trânsito; dirigi na BR sozinha; passei férias na praia com uma amiga e minha irmã; comprei roupas pra Sophia e ela passou o cartão; beijei um cara bem mais novo que eu; rompi ciclos que me faziam mal; não me deprimi na época do meu aniversário; coordenei o teatro do Encontro de Crianças; me encantei, não fui correspondida e não morri por isso; acompanhei uma turma durante todo o ano letivo.. E muitas coisas mais!
Em 2011 eu pensei em fugir para São Paulo, Maceió, Blumenau, Pasárgada, sei lá.. Só queria sumir e mudar tudo.
Em 2011 eu tentei me tornar uma mulher menos crítica consigo mesma e mais confiante. E parece que tô conseguindo!
Em 2011 eu consegui pagar meu primeiro carro. Assim, ainda falta um pouquinho, mas é muuuito pouco pra ser levado em conta.
O bom de 2011 foi o quanto minha relação com o Senhor cresceu e amadureceu. Ele me levou a lugares mais altos esse ano e foi até lugares da minha alma nunca dantes acessados. Jesus e eu foi o que de melhor aconteceu em 2011.
O problema de 2011 foi meu estresse com a rotina da escola e tantas coisas que preciso dar conta.
Uma foto minha em 2011
E 2012?  
Acredita que ainda nem comecei a pensar???

P.S. Esse meme é uma lista de posts que a Cíntia fez e eu achei bonitinho demais, mas preferi transformar em perguntas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Para onde o amor leva você?

O amor nos leva a caminhos distantes, nunca imaginados. O amor, se dá as mãos à perseverança, alcança lugares altos! Amor é um verbo, deve se mover.
Sábado eu fui, com um amigo, visitar uma garotinha de 6 anos, que está com câncer. Ela veio pra Goiânia às pressas, junto com sua mãe, para fazer o tratamento na ACCG.
Conversamos com ela, que não por acaso, se chama Tais. Ela tem 6 anos, recém-completados em setembro. Conversou, brincou, se encantou com os presentes.
Impossível não se encantar com a força daquela mãe, uma mulher muito simples, que deixou em outra cidade sua outra filha.
O amor a levou a uma cidade estranha, onde ela não conhece ninguém, não tem amigos ou parentes, onde mal tem roupas para si e para sua filha.
O amor me levou a vencer meus receios e ir visitá-la.
O amor de Jesus nunca viu barreiras, nunca achou distante demais, difícil demais, chato demais, cansativo demais.
Preenchidos pelo amor Dele, não há como ter outra atitude. Andar uma milha juntos, quem sabe duas, talvez três?!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu fui, voltei. Me questionei, me critiquei. Fui forte e corajosa. Tive ódio, raiva, medo, tristeza. Perdoei. Tive ainda mais coragem. Mergulhei. Fundo, muito fundo. Me organizei. Lutei bravamente. Luto. Tenho fé e esperança.
Mas nunca olhei pra trás com olhos bondosos. Olhos misericordiosos.
Hoje consegui.
E só sei pensar que acomodar-se é mais fácil. Sempre é.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Yes! Eu tenho fôlego pra apagar as 27 velinhas!

'O vento toca o meu rosto
me lembrando que o tempo vai com ele..'


Tão óbvio pensar que o tempo passa. Mas são realidades óbvias que se mostram e são rapidamente repelidas. Não queremos que o tempo passe. Que as pessoas nos deixem, que as coisas mudem. Que o corpo mude - ou os sentimentos.

Tive um tempo tão confusa.. Não deixei de sê-lo, mas aceitei minha condição.

'Eu não sou diferente de ninguém
Quase todo mundo faz assim
Eu me viro bem melhor
Quando tá mais pra bom que pra ruim'


Vivo um tempo muito bacana da minha vida (que ainda diz bacana hoje além de mim?). Aceitar contradições. Fazer boas escolhas. Colher frutos. Experimentar. Não desistir. Abrir mão de emoções ruins. Desapegar. Batalhar. Pensar. Questionar.

Vivo muito feliz. Não que os problemas não surjam. Problemas vem aos montes! Tentam me derrubar e chutar meu tornozelo. Mas tenho motivos maiores.

'Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza' 


Já vivi muita tristeza. E já fui aprisionada pela dor. Já quis desistir, quis me revoltar, quis manter a raiva.
Só que...


'o tempo se vai, mas algo sempre eu guardarei...
o Teu amor, que um dia eu encontrei..'


Salomão diz que o amor é mais forte que a morte. A violência machuca e traz morte. Mata os ideais, os sonhos, as certezas.
Mas então, como encontramos velhos conhecidos caminhando no bairro que passávamos as férias na casa da avó, por acaso coisas diferentes acontecem.

'os meus sonhos, o vento não pode levar
a esperança, encontrei no Teu olhar'


O momento mais lindo da minha vida foi aquele em que o Amor preencheu meu rancor com vida. Trocou minha tristeza pela sua alegria. Pegou meu medo e transformou em coragem. O verdadeiro amor lança fora o passado de dor e substitui pela coragem de manter a esperança.

'e o medo que está sempre à porta,
quando estou com Você, Ele não pode entrar...'

É isso. Tenho um companheiro de caminho. Ele ri das minhas loucuras. Não fica emburrado quando me esqueço de algo. Ele admira minha personalidade e por isso, me ajuda a ser a mulher que planejou que eu fosse. Ele escuta meus pontos de vista.

'o tempo se vai
mas algo sempre guardarei...
o Teu amor, que um dia eu encontrei'


O homem que conquistou minha liberdade. O Deus que tocou minha angústia e a transformou em paz. O Deus que me transforma graciosamente. Me aceita gratuitamente. Cuida de mim graciosamente. O Deus que me ama incrivelmente!

'Luz da minha vida
Sol da minha justiça
Sangue derramado
Acesso garantido
Túmulo vazio
Urso sem comida
Único caminho
Verdade e a vida'


Mesmo que muita coisa seja diferente daquilo que um dia eu sonhei... A certeza do Seu amor e Seu cuidado constante me animam a continuar.

'A sua voz é como as muitas águas do mar
Que me traz segurança pra continuar
Buscando...'


Muitos sonhos ainda não aconteceram. Muitos sonhos permanecem em stand by. Mas eu não desisto. A vida é linda demais pra que isso aconteça.

Eu tinha medo que o tempo passasse. Medo de me desanimar, de não realizar tantas coisas, de outras tantas jamais acontecerem... E eu sempre tinha uma espécie de depressão-pré-aniversário.
Esse ano é uma das comemorações mais felizes! Minha vida está melhor do que eu imaginei e estou feliz. Como eu já disse (tô repetitiva, mas é a alegria da pessoa) tô feliz com minhas escolhas. E opções saudáveis, mais convictas são menos medo do erro. Não sei explicar bem..
Já fui muito ansiosa. E decisões ansiosas não são bem pensadas, equilibradas ou maduras. Não pesam as consequências.
É isso, né? Tô feliz porque me encontrei, amadureci e cresci. Tô feliz, no sentido mais vivo e mais pleno da palavra.

'A Tua voz é o comando pra eu entender, que o meu futuro é uma palavra que não pode falhar,
E o meu passado tá apagado, não tem como voltar!
Agora eu posso dar meus passos'





O tempo, Oficina G3;
Condição, Lulu Santos;
Samba da benção, Vinícius de Moraes;
Eu vou chegar lá, Resgate;
Sempre mais,Oficina G3;
Teu sinal, Resgate.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

about me

Não espere de mim linearidade. É. Isso mesmo. Sabe aquela linha reta, que nunca faz uma curva, nunca pára? Pois é, não sou eu. Sou confusa, sou chatinha. Mas tô aprendendo a combinar minhas roupas, sei andar de salto, usar blush e rímel. Não sei ser sexy, nem manter um olhar 43. Tem gente que diz que sou meiga, mas pra mim só sou destrambelhada.
Mas eu gosto disso. Me divirto assim, essa é a verdade.
Dirijo na BR-153 ouvindo Resgate, cantando como se não houvesse amanhã (e eu não fosse passar a tarde falando) e fazendo caras e bocas. Eu me empolgo com as coisas como uma adolescente. Adoro comprar presente (pra mim e pros outros).
Peguei meu carro com três meses de CNH provisória e fui, adivinhem, trabalhar pela bendita BR. E eu dirijo pra todo lado, sem rumo e tudo mais.
Trabalho três bairros depois do meu e fiquei semanas perdida porque entrava em ruas e ia parar em lugares desconhecidos.
Me decepciono e me choco com as coisas más e egoístas que os homens andam fazendo, mas ainda acredito que exista um homem diferente dessa massa. E ele vai surgir na minha vida e eu irei iluminar a sua. E ele vai pensar, essa mulher é louca, mas divertida, curiosa, bonita, bem informada, conversa pelos cotovelos e a mulher da minha vida. E eu vou saber, como a gente sabe das coisas mais secretas e simples que ele é o cara.
Não sou perfeita. Verdade libertadora, não?!! Posso errar, posso me machucar e, infelizmente, aqueles que amo. Mas eu me esforço pra dar certo.
E tô aprendendo a cuidar de mim e me fazer feliz. Porque não tem graça mudar o mundo sem divertir-se enquanto isso.
E sim. Eu também sou mal humorada às vezes. Mas é raro. Tanto que minhas colegas de trabalho se chocam com meu bom humor matutino. Siiim! Eu acordo 6h da manhã na segunda e chego no trabalho sorrindo.





sexta-feira, 26 de agosto de 2011

#decepção

Desapontamentos doem demais! Sei que nem sempre é da minha conta, que cada um faz o que quiser da própria vida, masss... Às vezes, eu realmente desejo a simplicidade que um dia eu vi a vida. Sei que as pessoas não são lineares, nem jamais serão. Mas ser machucado pelo agir do outro é uma decepção gigante. Maior, bem maior que o gigante do João.

Ô tiiiiiiiiiiiiiia!

Tem umas coisas que eu não gosto como professora e abomino eternamente como professora. Chiclete. Fofoca. Piti. Grosseria. Gritaria.
Vai ver esse é meu jeito de mudar o mundo, de ensinar caminhos diferentes, de compartilhar como eu vejo as coisas. Ou então é pura chatice minha, vá saber.
Mas ser humano tem essa coisa de continuidade, essa necessidade de passar pro outro o que viveu... E a gente marca a vida daquele serzinho que brilha os olhos quando consegue fazer a divisão depois que você disse que ele conseguiria. E ele leva mais livros pra casa e trata melhor os colegas, e se esforça mais pra conviver...
Gosto disso na minha profissão. Rio dos absurdos que escuto. E também brigo, esculhambo, fico brava, decepcionada. E feliz e sorridente quando dá certo.
Porque tudo que ando pensando ultimamente é se é iiiiiisso mesmo que quero pra minha vida. É??????
Tem dias que eu adoro, mas meu salário não acompanha minhas motivações. Tampouco o interesse dos alunos acompanha meu desejo. E o desrespeito. O desgaste da minha saúde. O cansaço. A quantidade de trabalho pra fazer em casa.
Você é só professora ou tem uma profissão também?

domingo, 21 de agosto de 2011

bem-querer

Difícil querer com a dúvida de não saber se o bem-querer é recíproco.
Confuso querer sem saber exata e detalhadamente como o outro se sente. 
Querer devia ser transparente como bolha de sabão - mas não tão frágil, e de um fôlego maior.
Querer bem, se transforma em querer estar junto e em querer cada vez mais perto e cada vez mais junto.
Querer que quer ver sorrir, ver feliz, ver conquistar, ver sonhar. Mas confesso: meu querer não é assim tão altruísta. 
Quero, mas quero de mão dada, olhando pra mesma estrela.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

segredos ao sabiá

O sabiá esqueceu de assoviar! 
Ô, sabiá, sábio amigo, suba na janela daquele homem sorridente 
e lhe diga que eu sei que invadi seus sonhos.

Ei sabiá, não se esqueça de segredar: 
ele também somou-se aos meus segredos sonhados, saiu-se por essas bandas um dia desses. 

Não soube porque, 
nem soube se é... 
Mas sabe? 
Assobie por lá e me surpreenda de cá!

domingo, 14 de agosto de 2011

Ninguém me disse que seria assim..

Cheguei na escola no primeiro dia de aula e uma das mais queridas alunas me diz que havia perdido a mãe nas férias. Vontade de colocar no colo, trazer a mãe de volta, sei lá.
Dias depois ela desabafa, em forma de revolta, sua dor, me dizendo que era um absuuurdo eu ainda morar com minha mãe. Eu senti o tom de revolta na voz, no olhar e a na postura. Ela me perguntava, muda, se era justo eu ser uma adulta e ter meus pais juntos e ela, uma criança, não. Eu não soube o que dizer, apenas sorri e a deixei falar.
Ninguém me disse que eu teria que lidar com o luto assim tão de perto, nem que doeria tanto. Não há, confesso, profissionalismo que resista.
Ela é uma criança, uma menina e se esforça pra fazer tudo como sempre, pra ser a estudante brilhante, a menina alegre, mas alguma coisa se perdeu no caminho...
Não há quem possa recuperar, não há o que se possa fazer. A menina de tiradas irônicas não é mais engraçada. Sua ingenuidade de criança se perdeu.. E eu assisto àquilo tudo. E dói demais. Especialmente porque não consigo saber o que fazer. Contemplo, apenas, uma das minhas alunas favoritas (confesso, tá? Ela é especial, sempre foi) sofrendo insuportavelmente. E a vida continua, ela tem que continuar. Ela não terá mais sua mãe para lhe disciplinar. Seus olhos não brilham mais do mesmo jeito.
Sexta ela me disse que foi tirar o RG e eu digo que tirei o meus aos 16 anos, ela olha pra mim e diz "foi quando você perdeu sua mãe, professora?", como alguém que pede uma esperança, uma corda de salvação, como dizendo, "por favor me diga que há uma luz no fim do túnel, que há uma esperança".
Ela sempre me chamou muita atenção, parece que sempre compreendi como ela se sente, me vejo nela, em tantos aspectos. Ela já passara por muitas coisas na vida, se tornara forte ao sabor das circunstâncias. Já havia saído de sala para conversar com ela sobre assuntos que nada tinham a ver com a sala de aula. Na reunião que tive com sua mãe lhe disse isso, inclusive e ela me deu todo apoio para fazê-lo.
Nas últimas semanas de junho eu soube que sua mãe estava investigando um câncer e eu nós oramos. E eu me lembro da sensação que eu quis ter que ficaria tudo bem, que nada seria confirmado...
Minha aluninha que me disse um dia que quando crescesse teria um namorado "lindo, loiro, alto, crente, rico, inteligente e que toque bateria" não tem mais a mãe pra estar ao seu lado. Ver isso dói. É quase insuportável.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A gente somos inúteis

Até quando?

Em recentes declarações, um vereador de São Paulo diz que professores são inúteis, não gostam de dar aula, são preguiçosos e por isso, conclui ele, a Educação no Brasil não evolui. Interessante é que por aí existem muitas soluções mágicas para o problema da deseducação brasileira e, na maioria deles os professores são arlequins de cartola que resolverão todos os problemas. Não basta apenas fazer estripulias ou fazer surgir um pombo!
É preciso que o aluno aprenda, tire nota máxima na Prova Brasil, seja alfabetizado, tire notas excelentes, seja lindo, educado, limpo, esperto, espontâneo, escreva excelentes textos e tenha um raciocínio lógico-matemático de dar inveja a Malba Tahan! E tudo isso será alcançado na magica sala de aula, onde o menino entra e sai sabendo tudo.
Não é preciso que o professor seja bem pago, pois isso não influencia de maneira alguma a aprendizagem. Não é preciso que as salas de aulas tenham menos alunos, porque lá nos Estados Unidos esse não é um número relevante. Não é preciso que todos os alunos tenham livro didático, pois o professor dará um jeito. Não é preciso novas tecnologias, porque isso também não trabalha a motivação do aluno.
Nada. Tudo que você precisa é de um arlequim, um quadro e giz branco.
Não lhe parece contraditório? A mim sim. Vejo todas as contradições possíveis em discursos vazios de profundidade. Se o educador é quem fará a diferença, porque não lhe pagar mais do que R$ 1.087,00?
Acontece que os problemas da Educação brasileira não tem soluções simplistas, e não há quem queira pegar o arado e reformar com zelo. Aumentar a carga horária não resolve o problema! Somar um dia na semana apenas desgastará já quase destruído: o mestre.
Pessoas, como você, seu vizinho ou seu chefe, que tem problemas a resolver, marido, esposa, filhos, médico, contas e responsabilidades. Sim, porque você sai e deixa seu trabalho na empresa, mas o educador não. O educador planeja, pesquisa, corrige 200, 300 provas, testes e avaliações em casa. O educador planeja formas de que seu filho/sobrinho/afilhado aprenda melhor. Pesquisa profundamente temáticas contemporâneas para conectar o conteúdo à realidade. Procura desafios, textos, poesias. Faz listas de exercícios, elabora avaliações diagnósticas e jogos lúdicos.
Não sou uma professora preguiçosa e acredito, honestamente, que poucos colegas meus o sejam. Vejo colegas preocupados com os rumos do Brasil, das políticas públicas, dos alunos. Vejo colegas fazendo malabarismos para equilibrar tantas responsabilidades.
E vejo, infelizmente, teóricos, mestres e doutores que jamais pisaram seus pés Jimmy Choo em uma sala de aula de periferia dando receitas para a melhoria da Educação. Não os escuto mais. Isso destruiria todo meu esforço em ser uma educadora.
Educadora de verdade, do tipo que está aprendendo a alfabetizar, do tipo que se preocupa, que discute, que tira o sapato para brincar com os alunos, que lê livros para melhorar sua prática, que reflete sobre o que faz.
E, para finalizar, se estamos falando de receitas, eu também tenho algumas. Ofereça ao professor um aumento real, que ao menos quadruplique seu salário e dê a ele a oportunidade de estar apenas em uma escola. Ofereça a esse profissional uma escola em que ele não precise usar mimeógrafo, ou giz branco que lhe dá alergia, onde tenha tempo para pesquisar e um laboratório de informática e ciências que funcione, com espaço para bibliotecas, livros didáticos para todos os alunos, junto com verbas para passeios, assim como salas que tenha uma quantidade moderada de alunos. Obrigue os pais a matricular e acompanhar os filhos na escola. Puna alunos que ameaçam, arranham carro ou batem em professores.
Não é simples?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

#sinceridades

Primeiro dia de aula. Passo dando visto na tarefa de revisão, uma aluna que usava óculos não está com eles, questiono-a e comento "ah, meu grau aumentou". Uma aluna olha na minha própria cara e diz "ah, professora, você fica MUITO FEIA com aqueles óculos. Ele é fundo de garrafa, NÉ?". E você pensa que algum dos outros 32 discorda? NÃO!!! Quase em uníssono eles me dizem que eu não combino com óculos e que fico ESQUISITA DEMAIS. Então tá, né? Ainda bem que existe a lente de contato! \o/

sábado, 30 de julho de 2011

Ainda há o que dizer?


MelGama
Ainda há o que dizer. Sempre há o que dizer. Se às vezes a vida parece acontecer em câmera lenta, em outros momentos acontece como num vulcão, derrubando e assustando. Mal se consegue pensar.

Ataques na Noruega. Ataques na Líbia. Ataques nas favelas, nas cidades. E uma dor. Uma tristeza que beira o insuportável e é vizinha do insuperável.

Mas então há uma alma sequiosa que deseja. Exige. Nossa resposta a ela é a não-desistência, que a sacia como água.

Viver demanda ânimo.

Ainda há o que dizer. Nas esquinas tomadas pela dor, nas cidades tomadas pelo caos. O insuportável se aloja ao nosso lado e o despercebemos.

Nos acostumamos em ser embrutecidos pela força da violência e nos calamos. Nos habituamos a pais de família desempregados, a crianças famintas no sinal, a ter nossos impostos desviados, a ver nossos políticos mentindo, a ver nossos governantes ignorarem o que é urgente.

Até quando preencheremos o dia com o superficial?

Até quando não questionaremos?

Se ainda há o que dizer, porque nos calamos? 

Se ainda há o que fazer, porque estamos parados?

~Blankenho
 Ainda há pessoas morrendo na fila do SUS, esperando atendimento. Ainda há doentes mentais sem qualidade de vida. Ainda há grávidas que quase morrem esperando atendimento. Ainda há crianças que não tem escola. Ainda há bandidos controlando o tráfico do lado de fora da cadeia. Ainda há times construindo estádios milionários com dinheiro público. 

Até quando elegeremos políticos que nos ignoram, Brasil?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Fundo do baú

Se descobrir bonita depois de anos se sentindo como o patinho feio, não tem preço. Redescobrir a autoestima no fundo de um baú, empoeirada, cheirando a mofo e alquebrada, é mesmo incrível. O mais doloroso de se sentir mal a respeito de si mesmo é que existirão maldosos, invejosos e mentirosos pelo caminho, dispostos a concordar com o pior de você mesmo.


Não falo só duma estética não, mas do conjunto. Porque descobrir beleza em si mesmo é enxergar um tipo de verdade. É ver o que há de mais bonito e apreciar. É como se acostumar a ver-se sempre num espelho arranhado, escuro e quebrado. Não é nítido, não é real. É estranhamente distorcido.


E quando você finalmente consegue se enxergar, tanta coisa muda. É mesmo um tipo especial de acontecimento, onde você descobre coisas incríveis sobre a pessoa que mais convive e que, por isso mesmo, mais deveria conhecer. Você pode enfim ver que seu nariz é meio torto sim, mas isso não tira a beleza dos seus olhos, nem do seu sorriso. A pele não é de seda, mas não é nada que um peeling não possa dar jeito.


Sentir-se feia traz um tipo de peso sobre os ombros, uma estranha sensação de dor e incapacidade. Vivemos numa sociedade que cultua beleza, então sentir-se fora disso tira, de certa forma, a habilidade de enxergar mais do aquilo.


Então você se descobre... Que momento feliz! E porque você descobre, se cuida com tanto carinho.


Porque a descoberta não é só de quão belo você pode ser... É de como você é uma pessoa incrível. Disposta, animada, corajosa, amada. A descoberta da beleza é um momento de autoapreciação e de autoaceitação. Sim, não sou alguém perfeito, mas gosto de mim desse jeito.


O patinho tornou-se um cisne lindo e corajoso – e ele sabe disso! Sabe quão feliz e quantas coisas boas merece. E se não ainda as obteve, tem garra para lutar por cada uma delas. Porque o cisne conhece sua força, sabe seus limites.


As distorções que tentaram fazê-lo acreditar não passam de mentiras, das mais deslavadas e incoerentes. Descabidas! O cisne é belo, é real e sabe disso. Nada mais escapa aos seus olhos, que há muito aprenderam a discernir a verdade da mentira, o afeto generoso da falsidade, a alegria da inveja, a beleza da feiúra.


Porque o belo não está na perfeição milimetricamente calculada, mas na singularidade de ser o que se é. Nas imperfeições, defeitos e medos. Nas dores e nas marcas. Nos dissabores. Nos enfrentamentos pela verdade, pela justiça. Na liberdade de ser o que se é, sem dever a ninguém àquele doce sabor, a não ser à própria fé.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

fim de férias

Irei voltar a trabalhar. Preciso quero não, mas serei obrigada a fazê-lo. A pessoa digna que pesquisou sobre funcionários deprimidos que voltam a trabalhar tem todo meu apoio. Acordar tarde, ler de madrugada (não existe horário melhor!!), sair, comer besteira, viajar, areia, praia, mar, Maceió.
Minha rotina me desgasta tanto, mas tanto, que custo acreditar que existe vida fora dela. Planejamentos, provas, testes, aulas, broncas, indisciplina, sensação de incapacidade, desinteresse, cansaço, madrugar, livros, tarefas, correções. Dá pra sentir saudade disso?
Num passado longínquo e muito distante, antes de eu descobrir eu-mesma-feliz e de pernas pro ar na praia, até rolava um oun! que saudade dos meus pirralhos. Mas agora que esse é meu trabalho tipo 50h por semana e os alnos não são mais fofuras, não mais.
Vou olhar pros benefícios e me jogar. Não tem plano B aqui AINDA. Aliás, até tem, mas ainda é um plano-pra-um-futuro um pouco distante. Vamo que vamo! Alunos pentelhos, eu voltei, mais chata que nunca!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

coração dividido

De um lado, a alegria da casa, do outro, a tranquilidade por estar de férias.
Saudade da cama, das amigas ao alcance de um telefonema, da comida da mãe, bem quentinha. Os amigos de sempre, os cultos de domingo na igreja, ver os amigos, papear, sair no fim do culto. Meus livros. Meu carro, a facilidade de andar onde sei chegar à maioria dos lugares. Comer e passear em lugares tão familiares. Cidade que a gente conhece tem esse sabor: coisa familiar. Já conheço os sabores, as cores, até as nuances amargas.
E daí tem a praia. Aquela sensação única da onda subindo, descendo. O cheiro de sal, a areia que gruda em todos os poros. A maresia da noite. E o tio mais-favorito-de-todos-os-tios e a futura tia mais legal que nunca. E as comidinhas que fazemos, as descobertas no fogão novo. Acordar 5h da manhã achando que já é manhã. Experimentar casquinha de siri. Comer peixe frito, peixe assado, caldo de peixe, barato e gostoso.
Entre o que se conhece e o que é eventual. Entre o estranho e o familiar. Entre o amor e a saudade. Entre a rotina e o desconhecido.
Férias... Não vá embora, sua linda!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Como viver em um mundo de pessoas mais bonitas

Sites que reúnem apenas beautiful people (feiosos não são aceitos), rankings das cidades com mais gente supostamente quase perfeita, revistas com dicas para se adequar a incontáveis padrões estéticos que provavelmente não serão os da sua futura esposa... A beleza é mesmo alguma espécie de propriedade externa em vez de uma construção inseparável de nossos olhos?


Já falamos sobre as várias condições (internas e até impessoais) que definem nosso visual. Agora veremos se é possível mudar a aparência dos outros ao nosso redor. Claro, isso não significa tentar mudar o cabelo, a pele, as roupas, o comportamento das pessoas de acordo com algum critério estético.


Se as pessoas ficam naturalmente mais bonitas quando sorriem, relaxam, param, cultivam felicidade, brilho nos olhos, calor no peito, sentido na vida, como podemos criar espaços e nos posicionar para estimular esse processo? Pode parecer pura teoria, mas experimente colocar alguém em uma roda de percussão, levá-lo para uma trilha ou simplesmente perguntar sobre seu passado e seus sonhos. Sem falar em sexo... Observe como até mesmos os traços do rosto mudam de modo quase mágico. Não é preciso nem mesmo criar uma experiência, basta oferecer nossa presença espontânea para ativar essa vida nos outros.


Há algo em cada um de nós que está cansado, que não aguenta mais ser sempre igual, manter a coerência em relação às nossas identidades e ser tratado com o devido respeito. Podemos nos relacionar com isso. Podemos piscar ou sorrir para esse cansaço - em nós e nos outros. Boa parte de nossas faces mais feias são sustentadas por essa apatia, assim como nossa maior beleza vem da abertura, do mistério de não saber quem somos.
Além disso, podemos treinar nosso olhar. Uma coisa é ouvir uma música cubana descontextualizada e dizer que não gosta. Outra é passar duas horas dançando salsa na frente de congas e trompetes. Ao parar, ao dar crédito, ao brincar com aquele olhar de apaixonado, a beleza surge de qualquer lugar.


Curiosamente, nossa beleza é proporcional à nossa capacidade de reconhecer beleza no mundo. Peça para uma pessoa descrever seus amigos e você terá uma imagem bastante precisa de como os amigos a enxergam. Ou seja, o conteúdo estético de nossas experiências não vem exatamente de qualidades objetivas, externas, mas dos processos de relação pelos quais tocamos, cheiramos, ouvimos, vemos, degustamos, pensamos, imaginamos, recebemos os outros e o mundo. Ao mesmo tempo, somos tocados, cheirados, ouvidos, vistos, degustados, pensados, imaginados e recebidos pelos mesmíssimos processos de relação que criamos.

[by PdH ali, ó]

quarta-feira, 11 de maio de 2011

CNH + eu = ?

Uma linda tarde de verão (adoro essa expressão!) resolvo: preciso tirar minha CNH! Ao lado do terminal de ônibus da cidade vizinha (cof! cof!) que eu trabalhava, havia uma auto-escola. Pois bem.

Paguei, matei trabalho pra fazer os exames, gastei dois fins-de-semana para fazer o curso e fui marcar as aulas de volante. Você acha que é agora que vem o final feliz??
 
Pois você está muitíssimo enganado! As pessoas comuns fazem 10, 20 aulas... Eu fiz dois meses e meio de aula! Foi difícil aprender a coordenar as marchas, trocando-as à medida que o carro pegava velocidade; difícil manter o carro alinhado, difícil fazer curvas, diminuir ou aumentar a velocidade em subidas, decidas e quebra-mola e por fim a baliza. Acho que foram umas 20 aulas SÓ pra isso! Na primeira prova fui vergonhosamente reprovada por ansiedade: meus joelhos tremiam tanto que o carro apagou! Como eu sabia que apagar o carro é reprovação automática, quem disse que eu queria terminar a prova?
 
Terminei, bombei e chorei. Nessa ordem. Reclamei pro meu instrutor, mandei torpedo pra minhas amigas, meu pai e minha mãe. Quis desistir, mas não o fiz! Decidi, depois de uns dias triste, que faria a bendita prova até passar. E passei, na segunda vez.
 
E o dias não passavam, até que ela chegouu! Mega ansiosa busquei minha CNH. Meu pai nunca queria me emprestar o carro, ficou super bravo quando bati seu carro na lixeira e riu quando o bati no muro. Em janeiro meu fofis carrinho, o Zeca, apareceu na minha vida e hoje dirigir é algo muito natural.
 
Recentemente ando pensando muito nisso. Estou passando por outras situações que exigem de mim persistência. MUITA! Tive momentos de querer jogar tudo pro alto e desistir. E eu, tal como fiz na prova, sentei, chorei e dei a volta por cima.

sábado, 7 de maio de 2011

Broken heart


Essa semana perdi minha sobrinha. Uma linda mocinha, que estava crescendo forte na barriga da mamãe dela, mas foi vítima de má formação.

Sim, eu sei que Deus sabe de todas as coisas. Sei que essas coisas acontecem; que foi melhor assim. Ouvi inclusive, de uma boca insensível que eu devia ser forte pra lidar com coisas assim.

Sabíamos que ela estava sofrendo. Era uma bebê agitada na barriga, devido aos problemas que teve ela não dormia, não descansava, já havia perdido massa encefálica. Muitos dias nós oramos por um milagre, outros tantos para que ela não mais sofresse, oramos para que o Senhor fizesse Sua vontade. E Ele fez.

Mas, ah, como doeu! Houveram dias que eu chorava e me perguntava como era possível amar tão profundamente um ser tão, tão pequenino. Porque eu a amo muito.

Eu dizia, muitas e muitas vezes: como é possível amar tanto um serzinho que ainda nem nasceu? Eu começava a pensar, enquanto trabalhava ou dirigia e só minhas lágrimas expressavam a dor que sentia.

Minha pequenina sobrinha faleceu essa semana, quarta-feira. Lembro da minha enorme alegria quando a Sophia nasceu. Aquele bebezinho, tão amado, tão especial. Conseguia ver as partes do seu corpinho na ultrassom como nunca antes. Queria comprar todos os brinquedos, macacões. Hoje quero comprar vestidinhos, livrinhos, batons, bonecas, bolsinhas e jogos.

E eu já pensava como seria feliz ter duas sobrinhas. Depois disseram que era menino. E eu pensava como seria o máximo ter um sobrinho. Então vieram as más notícias e todo nosso sofrimento. E o amor, esse sentimento incrível, foi tomando conta de cada parte do meu coração e da minha alma. Sinto como se eu não quisesse amá-la absurdamente, porque sabia do prognóstico.

Mas o amor é mais forte que a morte. Porque amo muito, muito, muito a Julia Amanda. Carrego no meu coração a dor de ter perdido alguém que eu amava, mesmo que esse alguém ainda nem pesasse um quilo. Mesmo que eu não tenha coragem de perguntar à minha irmã, que foi a única que a viu, como era o rostinho dela. Mesmo que ela medisse a palma de uma mão aberta.

O amor, esse sentimento incrível! Invade, delicadamente, cada célula, cada vaso. Contagia, inunda, traz esperança, traz novos sonhos. Sonhava com seu nascimento, imaginava sua personalidade...

Acredito que no céu não haverá dor, nem lágrimas. Sei que, de alguma forma, a Julia Amanda lá estará feliz e saudável. Porque o amor, ah, ele permanece. E não deixa de esperar, confiar, crer no melhor. Julinha, você foi muito amada. Das poucas certezas, sei que não lhe faltou amor.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Meu jardim

Aluna: Profe, não é verdade que quando um homem bate em mulher chamam ele de covarde? O Joãozinho quer me bater. Vou denunciar ele pra Maria da Penha. (oi?) 

vontade de gargalhar, #confesso
T:  eu explicar pra vocês. A Lei Maria da Penha é muito importante, porque no Brasil, a cada 7 segundos uma mulher apanha do marido. 
me choco com os olhares chocados
 
Essa lei foi criada porque o brasileiro ainda tem o hábito de resolver tudo na ‘porrada’.  A Maria da Penha foi uma mulher que apanhou muito do marido, ela já não anda mais por causa disso. Então ela lutou pra que esse tipo de crime não ficasse sem punição.



A conversa ainda fluiu, ainda uns 10 minutos, mas depois tive que cortar - senão adeus qualquer outra coisa. :P

Valem muito pra mim os momentos que tenho discussões importantes assim com meus alunos. Me sinto um Lair Ribeiro (fui antiga, né?) da vida, porque os olhos impressionados deles não desgrudam e não perdem uma só palavra.

Penso que ser professora, mais do ensinar conteúdos, é plantar sementes de reflexão, que trarão mudanças. Já amadureci e rompi muitos preconceitos com discussões assim, em sala.
 
Minha platéia é curiosa, interessada e pensa. Muito! Passamos ainda um bom tempo discutindo violência. Tenho inclusive uma aluna que perdeu a mãe, quase bebê, assim. Ela foi assassinada pelo pai, inconformado com o fim do casamento. Outro dia ela me abraçou e disse que sou parecida com a mãe dela ‘que morreu’.
É possível não amar, se apegar e dar o melhor pra esses pequenos?
#amomuitotudoisso

sábado, 19 de março de 2011

tanto

Eu, que tenho tantas dores, tantos medos, tantos desesperos, tantos desejos - tudo no plural. Tantas vontades: sumir, matar, morrer, mudar. Eu que já tive pavor de crescer. Eu, gente grande. Eu com desejo: melhor, mais pleno, porto seguro. Eu. Decidi pagar pra ver.   

domingo, 20 de fevereiro de 2011

hyperactivity

~Sadir89
Sou totalmente ligada na tomada. Minha cabeça não pára, não pára. Tenho os sonhos mais esdrúxulos com coisas que me preocupam, os cansaços mais absurdos. Me acostumei a ser assim, é realmente muito eu. Minha nova e revolucionária vibe motorista agora, quando pára em algum lugar, fica calculando e imaginando como sair daquele lugar. É sério, eu fico conversando com a pessoa, prestando atenção e minha mente calculando. Legal, né? #NOT!
Mas essa hiperatividade mental traz consigo os maiores medos (estranho, né?). É o mesmo desassossego que toma conta do meu coração que se compara com Deus e o mundo, que julga todas as atitudes e tem mania de se sentir a pior. Sorte a minha que descobri isso e agora tô tentando não fazê-lo com tanta força. É uma canseira sem fim! Até porque sempre tem meio mundo mais bonita, mais legal, mais inteligente, mais divertida e mais estilosa que eu. 
E o pior: enquanto penso assim, não vivo.