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MelGama |
Ainda há o que dizer. Sempre há o que dizer. Se às vezes a vida parece acontecer em câmera lenta, em outros momentos acontece como num vulcão, derrubando e assustando. Mal se consegue pensar.
Ataques na Noruega. Ataques na Líbia. Ataques nas favelas, nas cidades. E uma dor. Uma tristeza que beira o insuportável e é vizinha do insuperável.
Mas então há uma alma sequiosa que deseja. Exige. Nossa resposta a ela é a não-desistência, que a sacia como água.
Viver demanda ânimo.
Ainda há o que dizer. Nas esquinas tomadas pela dor, nas cidades tomadas pelo caos. O insuportável se aloja ao nosso lado e o despercebemos.
Nos acostumamos em ser embrutecidos pela força da violência e nos calamos. Nos habituamos a pais de família desempregados, a crianças famintas no sinal, a ter nossos impostos desviados, a ver nossos políticos mentindo, a ver nossos governantes ignorarem o que é urgente.
Até quando preencheremos o dia com o superficial?
Até quando não questionaremos?
Se ainda há o que dizer, porque nos calamos?
Se ainda há o que fazer, porque estamos parados?
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~Blankenho |
Ainda há pessoas morrendo na fila do SUS, esperando atendimento. Ainda há doentes mentais sem qualidade de vida. Ainda há grávidas que quase morrem esperando atendimento. Ainda há crianças que não tem escola. Ainda há bandidos controlando o tráfico do lado de fora da cadeia. Ainda há times construindo estádios milionários com dinheiro público.
Até quando elegeremos políticos que nos ignoram, Brasil?