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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Delicadezas de viver

Tenho uma joaninha, dessas, de pelúcia, que ganhei há quase dez anos atrás. Ela me lembra tanta, tanta coisa boa. Da época em que me senti tão acolhida, por pessoas que realmente se importavam com dores que eu vivi, que passaram por dores parecidas... E ali, naquele grupo, pude me sentir menos estranha.

Hábitos que tinha, coisas que fazia, modos de pensar, meu Deus, elas também eram assim! Quando você tem dores que ninguém entende, você as tranca dentro de si, se sente um extraterrestre, que vive sem saber. Como assim você pensa de tal jeito? Como assim, reage dessa forma entranha? Mas tudo está tão bem guardado que você pensa, “bem, o problema está em mim”.
Coincidências da vida, ou não, você encontra pessoas. E estas pessoas, veja só, compreendem você! E aceitam suas expressões de dor, choram junto, se solidarizam. Solidarizar é uma coisa bonita demais! É de uma delicadeza sem fim você sair da sua dor pra compreender o outro. Guardar sua dor no bolso, como diz um poeta, e ir ajudar um amigo. Mesmo que você jamais tenha realmente “visto” esse amigo. Mas você foi capaz de ver sua alma, de entender seus conflitos e de ajudá-lo a carregar sua dor.
É bonito demais isso de expressar a sensibilidade que existe na sua alma... Porque as dores, as decepções, a avalanche de notícias trágicas tentam nos tirar essa mágica de simpatizar com  a dor do outro. Sentar junto e nada dizer, mas dizer tudo: eu estou aqui e não julgo você.

Esses encontros de alma não acontecem sempre. Mas quando acontecem dão todo sentido pra vida... Te ajudam a se reerguer, a reescrever o caminho. E isso não tem preço, mas se paga um preço para assim agir. Sair de si não é barato. Se abrir com o outro, custa confiança, custa compartilhar. Estender a mão custa uma força que você não sabe que tem. Apoiar o outro custa um tempo que você não terá de volta. E faz a vida tão, tão bonita. Daquelas delizadezas que só obras de arte conseguem expressar, que hábeis poetas custam em dizer. É bonito demais ter um amigo. 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

"Tem a ver. Você disse que não quer responsabilidades. Senão você iniciaria simplesmente um caso comigo e seria o que tivesse de ser. É possível que tudo fosse bem e alguém decidisse constituir uma família, ter filhos." 
"Mas, Niki, não temos a certeza disso." 
Niki sorri e começa a brincar com as pontas dos cabelos. "Escute, Alex, você sempre me faz ouvir aqueles CDs do seu amigo Enrico." 
"E daí? Você não gosta?" 
"Está brincando? Gosto demais do Battisti. Aliás, tem uma canção que parece bem o nosso caso. É assim... sou um pouco desafinada, viu, não faça caso, tá?, mas preste atenção nas palavras." 
Niki começa a cantar e sorri ao mesmo tempo. Canta com extrema doçura. E não desafina. 
"Quem sabe, quem sabe quem é você? Quem sabe quem será? Quem sabe o que será de nós? Descobriremos só vivendo..." 
Niki interrompe e olha para ele.  
"O.k., entendi. Se fizer uma propaganda cantada certamente não vai me contratar, mas dei uma boa idéia?" 
"Sim, perfeitamente. Mas talvez você não lembre dela inteira, porque essa canção depois
diz..." 
Alessandro também se põe a cantar. "Estou percebendo que cheguei em casa, com a minha caixa ainda com a fita cor-de-rosa... Escute agora e... não gostaria de ter errado as minhas compras ou a minha esposa." "Ora, exagerado! Você já chegou lá no fim! Já está preocupado com aquele mo¬mento... É cedo para falar disso!" Alessandro pega um CD. Coloca no aparelho. Faixa seis. Tecla de adiantamento rápido. Encontra aquilo que ele quer fazê-la ouvir. "De qualquer forma agora tenho um pouco de medo, agora que essa aventura está se tornando uma história verdadeira, espero muito que você seja sincera!" 
Niki agarra mão dele e a beija na palma. 
"O que você quer me dizer, Alex, que tem medo? Não sabemos nunca nada sobre nós, do amor, do futuro, Lúcio tem razão, vamos descobrir vivendo. O que há de mais bonito?" 
Alessandro sacode a cabeça levemente. 
"Um dos dois vai se machucar. A diferença de idade é grande demais." 
"E tem medo que seja você a se machucar? Pensa que para mim não passa de uma aventura? É mais fácil que seja assim para você... Todas as minhas amigas dizem isso..." 
Alessandro abre os braços. "Ei! Eu não imaginei que elas gostavam tanto assim de mim!
Frederico Mocia – desculpa se te chamo de amor 
Comunidade Traduções e Digitalizações – http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=65618057  
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Se for por isso, os meus amigos também dizem o mesmo para mim." 
"O que dizem?" 
"Divirta-se enquanto der, enquanto ela não se cansar." 
"Sim, claro, são todos casados, têm esposa, alguns até filhos, e vivem mal esse seu momento porque gostariam eles também de fazer isso. Alex, aquele que deve decidir é você. Em minha opinião, é só uma questão de medo..." 
"Medo?" 

"Medo de amar. Repito, mas o que há de mais bonito? Que risco maior vale a pena correr? Como é lindo se dar completamente a uma outra pessoa, confiar nela e não ter outro desejo a não ser vê-la sorrir."


Frederico Moccia novamente. Esse livro é um encanto de ser ler. Já li e estou ainda sofrendo de ressaca literária.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

           'Niki fica séria.  
"É verdade. Você está certo, eu sou assim, não sei o que fazer. E acho que você não deve tentar me mudar." 
"E quem quer experimentar?! Eu odeio os fracassos..." 
"Cretino! Olha que, se eu quiser, posso mudar... É que se eu mudar por você seria errado. Quer dizer que não sou a pessoa que está procurando, que não sou certa pra você. Isto é, eu fingiria ser outra. Então, você tem em mente uma outra que em comum comigo talvez tivesse só o nome, você conhece outra Niki?..." Alessandro sorri.  
"Ouça, podemos deixar a filosofia? Eu era péssimo nessa matéria...'


Frederico Moccia, "Desculpa se te chamo de amor".

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Marcha das Vadias - eu fui!!


Descobri que há uma feminista que me habita e ela fala o que pensa. E se pensa que precisa protestar, ela vai lá... E protesta!
Em Goiânia esse ano teve Marcha das Vadias. Fomos, Lilian e eu. Tive uma ideia brilhante para um cartaz, pesquisei outras duas e nos preparamos.
Marchei porque sou favorável ao respeito pela mulher. Marchei porque não admito que uma mulher – como eu – seja chamada de vadia e desqualificada por isso. Marchei porque tenho consciência e sei que se não questionarmos o status quo as coisas jamais mudarão. Marchei porque sou feminista e desejo que outros também sejam. Marchei porque não sou a favor ao aborto, mas favorável à escolha de cada mulher. Marchei porque desejo andar na rua sem medo de ser estuprada. Marchei porque desejo que minha sobrinha cresça num mundo onde as mulheres sejam respeitadas e bem pagas. Marchei porque desejo que meus filhos não cresçam numa sociedade em que seis, de cada dez mulheres, sofre algum tipo de violência sexual. Mas sobretudo, marchei porque o que acredito não é da sua conta.
Então fomos na Marcha e isto gerou algumas polêmicas sérias, especialmente envolvendo o nome da marcha e o fato de sermos cristãs e termos ido.
Sou super fã de Jesus. Sim, aquele Jesus que aparece na Bíblia. Na minha (humilde) opinião ele foi um cara revolucionário: ele respeitou uma mulher quando ninguém mais fazia. Ela não passava de um objeto, podia ser devolvida a qualquer hora e ainda por cima foi pega em adultério. Joga pedra nela! – gritavam em coro os moralistas revoltados. E Jesus? Ele não tinha pecado, gente, e Ele a respeitou. Jogou na cara de todo mundo a sujeira que existe embaixo do tapete e a libertou.
Eu tenho tanto pecado quanto qualquer outra pessoa. Não me sinto no direito de me levantar e criticar qualquer pessoa que seja. Mas me sinto na obrigação de defender o direito de quem quer que seja.
Não sou uma pessoa super importante, daquelas super influenciadoras, mas quem convive comigo sabe como penso. E não tenho vergonha disso, ao contrário, tenho orgulho do fato de ter recebido uma educação que me ensinou a questionar, ao invés de simplesmente aceitar.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Saindo do armário

Sou uma pessoa muito pensativa... Tenho um mundo interior riquíssimo. E algumas coisas sempre me incomodaram, desde que era adolescente: o fato de não pode andar na rua sem ouvir gracinhas e ter medo de fazê-lo à noite são alguns exemplos. Talvez tenha surgido aí a feminista que mora em mim: por quê as coisas são assim?
O tempo passou e continuei questionando: por quê meninas que beijam muitos caras são galinhas e caras que beijam muitas meninas são pegadores? Por quê um cara pode sair com uma garota e sair falando do que fez dela?
Mais um pouco de tempo e eu, que sou apaixonada em blogs, conheci o blog da Lola. Tenho quase certeza que foi uma das indicações da Lóris. Comecei a ler e as provocações dela começaram a fazer todo sentido pra mim. Junto com isso, comecei a ler várias coisas e eu finalmente saí do armário: sim, sou feminista!
Na sociedade em que vivemos o feminismo faz todo sentido. Acontece que estamos acostumados a viver como se tudo fosse sempre assim, como se nossa sociedade não tivesse problemas.
Mas, infelizmente, os problemas existem e são vários: por quê mulheres ganham menos que homens? Por quê mulheres criam filhos sozinhas? Onde estão os pais dessas crianças? Por quê uma mulher não pode sair na rua à noite, sem medo? Por quê tantas mulheres são estupradas no nosso país? Por que?
Entende meu ponto? Nossa sociedade precisa do feminismo! Precisa porque as mulheres tem tanto direito de andar na rua quanto qualquer homem. Por quê eu ando na rua e um homem acredita que tem direito de falar em alta voz as diversas formas que quer me comer? E não, eu não estava de roupa curta, andando à noite sozinha, ou me exibindo. Estava indo ao médico, de jeans e camiseta soltinha.
A sociedade brasileira precisa trazer à pauta esses debates, porque ainda se pensa que o corpo da mulher é propriedade do homem. Eu sei que parece absurdo, parece fora de sintonia, mas é o que a atitude demonstra. A mulher não é digna de ter liberdade. Consigo ouvir “ohhhhs” e “ahhhs”, além de várias caras de desaprovação.

Sou feminista porque sou favorável ao respeito que toda mulher merece ao andar na rua. Sem nenhum ‘apesar de’ – infelizmente muito usado para inventar pseudojustificativas, culpando o tamanho/tipo/modelo/cor da roupa. Não é uma babaquice?

domingo, 16 de junho de 2013

Delicadezas de viver

Tenho uma joaninha, dessas, de pelúcia, que ganhei há quase dez anos atrás. Ela me lembra tanta, tanta coisa boa. Da época em que me senti tão acolhida, por pessoas que realmente se importavam com dores que eu vivi, que passaram por dores parecidas... E ali, naquele grupo, pude me sentir menos estranha.
Hábitos que tinha, coisas que fazia, modos de pensar, meu Deus, elas também eram assim! Quando você tem dores que ninguém entende, você as tranca dentro de si, se sente um extraterrestre, que vive sem saber. Como assim você pensa de tal jeito? Como assim, reage dessa forma entranha? Mas tudo está tão bem guardado que você pensa, “bem, o problema está em mim”.

Coincidências da vida, ou não, você encontra pessoas. E estas pessoas, veja só, compreendem você! E aceitam suas expressões de dor, choram junto, se solidarizam. Solidarizar é uma coisa bonita demais! É de uma delicadeza sem fim você sair da sua dor pra compreender o outro. Guardar sua dor no bolso, como diz um poeta, e ir ajudar um amigo. Mesmo que você jamais tenha realmente “visto” esse amigo. Mas você foi capaz de ver sua alma, de entender seus conflitos e de ajudá-lo a carregar sua dor.
É bonito demais isso de expressar a sensibilidade que existe na sua alma... Porque as dores, as decepções, a avalanche de notícias trágicas tentam nos tirar essa mágica de simpatizar com  a dor do outro. Sentar junto e nada dizer, mas dizer tudo: eu estou aqui e não julgo você.

Esses encontros de alma não acontecem sempre. Mas quando acontecem dão todo sentido pra vida... Te ajudam a se reerguer, a reescrever o caminho. E isso não tem preço, mas se paga um preço para assim agir. Sair de si não é barato. Se abrir com o outro, custa confiança, custa compartilhar. Estender a mão custa uma força que você não sabe que tem. Apoiar o outro custa um tempo que você não terá de volta. E faz a vida tão, tão bonita. Daquelas delicadezas que só obras de arte conseguem expressar, que hábeis poetas custam em dizer. É bonito demais ter um amigo. 

domingo, 9 de junho de 2013

Estou de volta

   Quem me conhece sabe que eu adoro um bom papo... Adoro ouvir as pessoas, como elas pensam e adoro falar. Tenho muitos insights importantes enquanto falo. Também quando escrevo, por isso decidi reabrir meu blog.

   Preciso falar de tudo que anda rolando. Falar do Feliciano, do Estatuto do Nascituro, falar de preconceito, de livros, de estresse, de feminismo, de homofobia, de Marcha das Vadias. Falar de quanto tenho mudado... Relutei muito, temendo as reações das pessoas e suas interpretações ao que eu escrevia.

  Mas decidi desencanar, porque escrever me faz bem demais.
Então estou de volta. Ia mudar o nome do blog, até tentei alguns, mas esse lugar ainda é muito significativo, ainda faz muito sentido pra mim.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Questões do coração


Gosto daquelas histórias em que você mergulha, se sente uma abelhinha observando tudo e se identifica ora com um, ora com outro personagem.

Questões do coração é um desses livros em que você gasta tempo pensando no sentimento das personagens e precisa ir até a última página pra saber o que vai acontecer. Quando li a resenha no blog da Cíntia fiquei ligeiramente curiosa – porque ela não gostou taaanto assim. Mas eis que me deparo com esse livro sábado na Fnac... Paixão à primeira vista define.

Acho super bacana a forma que a Emily Giffin escreve... Você consegue compreender perfeitamente como os personagens se sentem. Consegue sentir a (aparente) frieza de Valerie em seus relacionamentos interpessoais, admira a garra que ela tem, a força interior pra não desabar...

A capa do livro no Japão.

E sente pena de Tessa e da preocupação que ela tem com a opinião de todos a seu redor de tudo que ela faz. Essa é uma daquelas preocupações que nos acostumamos a ter e então, quando algo maior nos força a focar em outra coisa, de repente nos perguntamos: porquê mesmo eu me preocupava tanto?

É um livro pra vibrar – e sofrer junto. Ou eu vibrei e sofri porque gosto da autora? Nem sei...



Na capa brasileira é diferente, achei curioso.

Fiquei mega feliz quando Rachel e Dex aparecem. Sabe aquele sentimento de quando você vê uma colega de faculdade que se identificava muito, tinha ótimos papos, mas de repente perde seu telefone? Foi assim que me senti quando os vi aqui. Amei!

 

 

 

 

P.S.  Primeira vez que escrevo uma resenha. Apesar de ser uma leitora voraz, isso nunca foi uma hábito meu. Culpa da Cíntia e da Annie, que vivem me deixando roxa de curiosidade ao ler suas resenhas.

P.S.2 Me sai mal, pessimamente mal ou dá pra passar? haha.

sábado, 16 de junho de 2012

Daí que durante a faxina da casa você se lembra de limpar aquele cômodo mal iluminado em que guarda todas as tranqueiras que não quer mais...
"Mas eu já limpei esse quarto ano passado", você pensa. 
Mas a limpeza superficial não removeu tudo. É preciso desempacotar, abrir caixas, álbuns de foto, diários antigos. 
É tudo muito escuro lá dentro. Gasta tempo demais pra arrumar, rapido você se cansa. 
Arruma um pouco, deixa outro pouco pra depois.
Já limpou muito, resolve dar um tempo.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Tenho muito pra dizer... Mas sinto que minhas palavras são como frutas maduradas à força. Sementes plantadas na estufa não tem o mesmo sabor daquelas que vivem ao sabor da natureza.
Assim sou..
Há o que dizer, mas ainda não é tempo.
Tudo vive, cresce e se torna em mim. E como o sol, que faz brotar a semente que vira flor, meu Jardineiro, com seu fiel amor tem regado com meu coração.
Com lágrimas, alegrias e dores ele tem crescido. E se curado.
Pra se tornar?
Talvez palavra.

domingo, 10 de junho de 2012

Eu falo mais pra mim que pra vocês, leitores (quanta abstração, heim?), já que ninguém (= eu) visita blog que não é atualizado. Mas preciso desabafar e não gosto de usar sempre e sempre o ouvido dos meus amigos. É chato isso.
Tô cansada.
Parece que o cansaço é um animal que quer me pegar e que eu fujo incontrolavelmente e que me cansa. Muito! E agora que decidi que não aguento mais essa vida, tá dificílimo aguentar cada semana.
Não sei se dá pra entender isso, logicamente falando. Entendo porque se trata da minha cabeça, que pensa e repensa nesse cansaço, tentando entender, conviver e abstrair quando necessário.
Tô cansada dos alunos, do trânsito, das burocracias que preciso fazer, de ensinar chatices, de correr tanto, dos motoristas que me fecham, dos caminhos que preciso pegar pra trabalhar, na quantidade de coisas que querem que eu faça em casa, das briguinhas dos alunos, do fim-de-semana que é pequeno demais pra eu descansar...
Tão vendo? Tô chata pra caramba.
Mas desabafei, logo, estou mais leve.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Greve e conscientização, a realidade como é







             Os professores da rede estadual estão em greve há mais de vinte dias, porque um absurdo e ilegal plano de cargos e salários foi aprovado. Imagine quantas crianças estão de greve, quantos vestibulandos, quantas mães sem saber onde ficarão seus filhos. Esses professores, pensa você, são mais um grupo de funcionários públicos sanguessuga, merecem mesmo o salário que tem.
             Ledo engano. Jamais vi uma greve assim. Em qualquer lugar que você vá existe alguém que se indigna com o salário recebido pelos educadores ou a forma que o governo tem tratado sua carreira. As pessoas não acreditam mais nas mentiras veiculadas nos jornais. Vivemos, ainda bem, uma era onde meias-verdades não são mais aceitas. Ou as pessoas se cansam do estado das coisas.
             Digo isso porque – além do educador - ninguém conhece melhor as condições da rede estadual de ensino do que os pais dos alunos. São eles que levam seus filhos à escola e vêem as péssimas condições das salas, com cadeiras quebradas, quadros em que mal se lê, a situação dos banheiro, os professores inexistentes na escola do filho. São eles que vêem os esforços dos diretores, o cansaço dos professores que se esforçam para dar o melhor ensino a seus filhos. São eles, não o governador, ou os tutores, tampouco o secretário da Educação. Em hipótese alguma são os deputados da base governista ou o presidente de algum partido jovem.
             É o pai que mal teve condição de estudar, a mãe que fez colegial noturno para trabalhar e deseja o melhor para seu filho. Qualquer pai e qualquer mãe podem enumerar para você um retrato das condições de ensino dessa rede, que faz propagandas de verdade duvidosa.
             São estas pessoas que estão apoiando a greve. Indivíduos que conhecem a realidade da escola não podem ser facilmente manipulados porque a verdade está marcada em suas mentes. E são todos esses que apóiam a greve. Hoje ouvi de uma mãe que seu filho adolescente está sem aula, mas ela concorda com a greve, pois a maneira que os professores são tratados é absurda.
             Em minha recente entrada nas redes públicas de ensino eu jamais vi uma greve tão amplamente apoiada. Penso que o governo não imaginaria que teria todo esse desgaste. Suas propagandas comemorando o salário pago é facilmente desmentida! O secretário divulgando quão boa é a nova carreira não está surtindo efeito. O novo plano de cargos e salários que retira direitos adquiridos e mina sua carreira não é comemorável.
             Me alegro em dizer que mesmo que se diga que os professores são uma classe preguiçosa, meros cabos eleitorais, massa de manobra dos comunistas (não imaginava que isso fosse um insulto ainda hoje!) ou quaisquer outras ofensas, elas são – e serão – facilmente derrubadas pela verdade.
             Sim, a verdade! Esse objeto em desuso, pouco encontrado nos políticos e suas falácias é conhecido de quem convive com um professor e vê sua dedicação. Seus turnos de trabalho, seu esforço em fazer trabalhos em casa, sua dedicação à prestar um trabalho de qualidade. A verdade, meus caros, é que o professor trabalha de verdade e não ganha 14º, 15º salários ou bônus por corrigir suas provas, fazer cursos, pesquisar novos métodos ou não desistir daquele aluno difícil.
             Em suma, os goianos estão cansados se ser tratados como idiotas. Reagem ao ver que o professor de seus filhos é atropelado por exigências. Reclamam ao se lembrar de professores que marcaram sua história e tem sua aposentadoria minada. Os goianos exigem respeito a esta classe que trabalha por amor ao que acredita sim, mas que não é sanguessuga, deve ser bem paga e respeitada. Os goianos estão acordando de seu coma político. Ainda bem.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Achados e perdidos de dois mil e onze

Peraí... 2011 tá acabando?
Pois é!!! E esse foi um ano incrível! Comecei o ano com um #prontoerrei histórico, numa tentativa frustrada de me tornar mais livre. Não deu certo. Mas eu aprendi muito.
E se tem algo que aprendi esse ano é que professores não tem esse 'peraí' não. Dizemos ainda bem, até que enfim, ufa, graças a Deus, não aguento mais e coisas do gênero. Tantos conselhos de classe, provas, notas, trabalhos e fichas pra corrirgir que nem dá pra ter aquela saudezinha.
Mas 2011 ainda não acabou, ainda vou tentar organizar meu carro! Sapatos, roupas, livros e papéis muito bem espalhados!!
Meu filme preferido em 2011? Pergunta difícil! Fui bastante ao cinema, revi algumas coisas por aqui... Mas não tive um preferido.
Meu site/blog preferido em 2011 foi o Escreva Lola escreva. Pude trazer pra minha vida pensamentos feministas sem aquele linguajar acadêmico que, confesso, me dá sono. Admiro a visão de mundo da Lola e a forma brilhante com a qual ela compartilha tudo.
Um vídeo do YouTube em 2011. Não sou fãnzoca do canal. Serve um da Sophia dançando?  Não rolou. Então eu fico com o vídeo da profª Amanda Gurgel, que denunciou as péssimas condições de salário/trabalho dos professores brasileiros, AQUI.
Meu livro favorito em 2011 foi, sem sombra de dúvidas, O resgate do feminino, da Isabele Ludovico.
Minha música favorita em 2011 foi Teu Sinal, do Resgate.
Meu melhor e meu pior dia de 2011. Tive muuuitos dias incríveis nesse ano. Muita coisa bacana aconteceu. Mas como um novo começo de era, posso dizer que meu primeiro dia de terapia foi ótimo. Marcou o início de uma nova fase, da minha busca por essa nova fase. Meu pior dia foi aquele em que minha sobrinhazinha Julia Amanda nasceu, porque foi o mesmo dia em que ela foi pro céu.
Em 2011 eu pela primeira vez tive meu próprio carro; recebi minha primeira multa de trânsito; dirigi na BR sozinha; passei férias na praia com uma amiga e minha irmã; comprei roupas pra Sophia e ela passou o cartão; beijei um cara bem mais novo que eu; rompi ciclos que me faziam mal; não me deprimi na época do meu aniversário; coordenei o teatro do Encontro de Crianças; me encantei, não fui correspondida e não morri por isso; acompanhei uma turma durante todo o ano letivo.. E muitas coisas mais!
Em 2011 eu pensei em fugir para São Paulo, Maceió, Blumenau, Pasárgada, sei lá.. Só queria sumir e mudar tudo.
Em 2011 eu tentei me tornar uma mulher menos crítica consigo mesma e mais confiante. E parece que tô conseguindo!
Em 2011 eu consegui pagar meu primeiro carro. Assim, ainda falta um pouquinho, mas é muuuito pouco pra ser levado em conta.
O bom de 2011 foi o quanto minha relação com o Senhor cresceu e amadureceu. Ele me levou a lugares mais altos esse ano e foi até lugares da minha alma nunca dantes acessados. Jesus e eu foi o que de melhor aconteceu em 2011.
O problema de 2011 foi meu estresse com a rotina da escola e tantas coisas que preciso dar conta.
Uma foto minha em 2011
E 2012?  
Acredita que ainda nem comecei a pensar???

P.S. Esse meme é uma lista de posts que a Cíntia fez e eu achei bonitinho demais, mas preferi transformar em perguntas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Para onde o amor leva você?

O amor nos leva a caminhos distantes, nunca imaginados. O amor, se dá as mãos à perseverança, alcança lugares altos! Amor é um verbo, deve se mover.
Sábado eu fui, com um amigo, visitar uma garotinha de 6 anos, que está com câncer. Ela veio pra Goiânia às pressas, junto com sua mãe, para fazer o tratamento na ACCG.
Conversamos com ela, que não por acaso, se chama Tais. Ela tem 6 anos, recém-completados em setembro. Conversou, brincou, se encantou com os presentes.
Impossível não se encantar com a força daquela mãe, uma mulher muito simples, que deixou em outra cidade sua outra filha.
O amor a levou a uma cidade estranha, onde ela não conhece ninguém, não tem amigos ou parentes, onde mal tem roupas para si e para sua filha.
O amor me levou a vencer meus receios e ir visitá-la.
O amor de Jesus nunca viu barreiras, nunca achou distante demais, difícil demais, chato demais, cansativo demais.
Preenchidos pelo amor Dele, não há como ter outra atitude. Andar uma milha juntos, quem sabe duas, talvez três?!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu fui, voltei. Me questionei, me critiquei. Fui forte e corajosa. Tive ódio, raiva, medo, tristeza. Perdoei. Tive ainda mais coragem. Mergulhei. Fundo, muito fundo. Me organizei. Lutei bravamente. Luto. Tenho fé e esperança.
Mas nunca olhei pra trás com olhos bondosos. Olhos misericordiosos.
Hoje consegui.
E só sei pensar que acomodar-se é mais fácil. Sempre é.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Yes! Eu tenho fôlego pra apagar as 27 velinhas!

'O vento toca o meu rosto
me lembrando que o tempo vai com ele..'


Tão óbvio pensar que o tempo passa. Mas são realidades óbvias que se mostram e são rapidamente repelidas. Não queremos que o tempo passe. Que as pessoas nos deixem, que as coisas mudem. Que o corpo mude - ou os sentimentos.

Tive um tempo tão confusa.. Não deixei de sê-lo, mas aceitei minha condição.

'Eu não sou diferente de ninguém
Quase todo mundo faz assim
Eu me viro bem melhor
Quando tá mais pra bom que pra ruim'


Vivo um tempo muito bacana da minha vida (que ainda diz bacana hoje além de mim?). Aceitar contradições. Fazer boas escolhas. Colher frutos. Experimentar. Não desistir. Abrir mão de emoções ruins. Desapegar. Batalhar. Pensar. Questionar.

Vivo muito feliz. Não que os problemas não surjam. Problemas vem aos montes! Tentam me derrubar e chutar meu tornozelo. Mas tenho motivos maiores.

'Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza' 


Já vivi muita tristeza. E já fui aprisionada pela dor. Já quis desistir, quis me revoltar, quis manter a raiva.
Só que...


'o tempo se vai, mas algo sempre eu guardarei...
o Teu amor, que um dia eu encontrei..'


Salomão diz que o amor é mais forte que a morte. A violência machuca e traz morte. Mata os ideais, os sonhos, as certezas.
Mas então, como encontramos velhos conhecidos caminhando no bairro que passávamos as férias na casa da avó, por acaso coisas diferentes acontecem.

'os meus sonhos, o vento não pode levar
a esperança, encontrei no Teu olhar'


O momento mais lindo da minha vida foi aquele em que o Amor preencheu meu rancor com vida. Trocou minha tristeza pela sua alegria. Pegou meu medo e transformou em coragem. O verdadeiro amor lança fora o passado de dor e substitui pela coragem de manter a esperança.

'e o medo que está sempre à porta,
quando estou com Você, Ele não pode entrar...'

É isso. Tenho um companheiro de caminho. Ele ri das minhas loucuras. Não fica emburrado quando me esqueço de algo. Ele admira minha personalidade e por isso, me ajuda a ser a mulher que planejou que eu fosse. Ele escuta meus pontos de vista.

'o tempo se vai
mas algo sempre guardarei...
o Teu amor, que um dia eu encontrei'


O homem que conquistou minha liberdade. O Deus que tocou minha angústia e a transformou em paz. O Deus que me transforma graciosamente. Me aceita gratuitamente. Cuida de mim graciosamente. O Deus que me ama incrivelmente!

'Luz da minha vida
Sol da minha justiça
Sangue derramado
Acesso garantido
Túmulo vazio
Urso sem comida
Único caminho
Verdade e a vida'


Mesmo que muita coisa seja diferente daquilo que um dia eu sonhei... A certeza do Seu amor e Seu cuidado constante me animam a continuar.

'A sua voz é como as muitas águas do mar
Que me traz segurança pra continuar
Buscando...'


Muitos sonhos ainda não aconteceram. Muitos sonhos permanecem em stand by. Mas eu não desisto. A vida é linda demais pra que isso aconteça.

Eu tinha medo que o tempo passasse. Medo de me desanimar, de não realizar tantas coisas, de outras tantas jamais acontecerem... E eu sempre tinha uma espécie de depressão-pré-aniversário.
Esse ano é uma das comemorações mais felizes! Minha vida está melhor do que eu imaginei e estou feliz. Como eu já disse (tô repetitiva, mas é a alegria da pessoa) tô feliz com minhas escolhas. E opções saudáveis, mais convictas são menos medo do erro. Não sei explicar bem..
Já fui muito ansiosa. E decisões ansiosas não são bem pensadas, equilibradas ou maduras. Não pesam as consequências.
É isso, né? Tô feliz porque me encontrei, amadureci e cresci. Tô feliz, no sentido mais vivo e mais pleno da palavra.

'A Tua voz é o comando pra eu entender, que o meu futuro é uma palavra que não pode falhar,
E o meu passado tá apagado, não tem como voltar!
Agora eu posso dar meus passos'





O tempo, Oficina G3;
Condição, Lulu Santos;
Samba da benção, Vinícius de Moraes;
Eu vou chegar lá, Resgate;
Sempre mais,Oficina G3;
Teu sinal, Resgate.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

about me

Não espere de mim linearidade. É. Isso mesmo. Sabe aquela linha reta, que nunca faz uma curva, nunca pára? Pois é, não sou eu. Sou confusa, sou chatinha. Mas tô aprendendo a combinar minhas roupas, sei andar de salto, usar blush e rímel. Não sei ser sexy, nem manter um olhar 43. Tem gente que diz que sou meiga, mas pra mim só sou destrambelhada.
Mas eu gosto disso. Me divirto assim, essa é a verdade.
Dirijo na BR-153 ouvindo Resgate, cantando como se não houvesse amanhã (e eu não fosse passar a tarde falando) e fazendo caras e bocas. Eu me empolgo com as coisas como uma adolescente. Adoro comprar presente (pra mim e pros outros).
Peguei meu carro com três meses de CNH provisória e fui, adivinhem, trabalhar pela bendita BR. E eu dirijo pra todo lado, sem rumo e tudo mais.
Trabalho três bairros depois do meu e fiquei semanas perdida porque entrava em ruas e ia parar em lugares desconhecidos.
Me decepciono e me choco com as coisas más e egoístas que os homens andam fazendo, mas ainda acredito que exista um homem diferente dessa massa. E ele vai surgir na minha vida e eu irei iluminar a sua. E ele vai pensar, essa mulher é louca, mas divertida, curiosa, bonita, bem informada, conversa pelos cotovelos e a mulher da minha vida. E eu vou saber, como a gente sabe das coisas mais secretas e simples que ele é o cara.
Não sou perfeita. Verdade libertadora, não?!! Posso errar, posso me machucar e, infelizmente, aqueles que amo. Mas eu me esforço pra dar certo.
E tô aprendendo a cuidar de mim e me fazer feliz. Porque não tem graça mudar o mundo sem divertir-se enquanto isso.
E sim. Eu também sou mal humorada às vezes. Mas é raro. Tanto que minhas colegas de trabalho se chocam com meu bom humor matutino. Siiim! Eu acordo 6h da manhã na segunda e chego no trabalho sorrindo.





sexta-feira, 26 de agosto de 2011

#decepção

Desapontamentos doem demais! Sei que nem sempre é da minha conta, que cada um faz o que quiser da própria vida, masss... Às vezes, eu realmente desejo a simplicidade que um dia eu vi a vida. Sei que as pessoas não são lineares, nem jamais serão. Mas ser machucado pelo agir do outro é uma decepção gigante. Maior, bem maior que o gigante do João.

Ô tiiiiiiiiiiiiiia!

Tem umas coisas que eu não gosto como professora e abomino eternamente como professora. Chiclete. Fofoca. Piti. Grosseria. Gritaria.
Vai ver esse é meu jeito de mudar o mundo, de ensinar caminhos diferentes, de compartilhar como eu vejo as coisas. Ou então é pura chatice minha, vá saber.
Mas ser humano tem essa coisa de continuidade, essa necessidade de passar pro outro o que viveu... E a gente marca a vida daquele serzinho que brilha os olhos quando consegue fazer a divisão depois que você disse que ele conseguiria. E ele leva mais livros pra casa e trata melhor os colegas, e se esforça mais pra conviver...
Gosto disso na minha profissão. Rio dos absurdos que escuto. E também brigo, esculhambo, fico brava, decepcionada. E feliz e sorridente quando dá certo.
Porque tudo que ando pensando ultimamente é se é iiiiiisso mesmo que quero pra minha vida. É??????
Tem dias que eu adoro, mas meu salário não acompanha minhas motivações. Tampouco o interesse dos alunos acompanha meu desejo. E o desrespeito. O desgaste da minha saúde. O cansaço. A quantidade de trabalho pra fazer em casa.
Você é só professora ou tem uma profissão também?

domingo, 21 de agosto de 2011

bem-querer

Difícil querer com a dúvida de não saber se o bem-querer é recíproco.
Confuso querer sem saber exata e detalhadamente como o outro se sente. 
Querer devia ser transparente como bolha de sabão - mas não tão frágil, e de um fôlego maior.
Querer bem, se transforma em querer estar junto e em querer cada vez mais perto e cada vez mais junto.
Querer que quer ver sorrir, ver feliz, ver conquistar, ver sonhar. Mas confesso: meu querer não é assim tão altruísta. 
Quero, mas quero de mão dada, olhando pra mesma estrela.